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Chuvas tiram 232 mil brasileiros de suas casas até agora em 2022

Número inclui desabrigados e desalojados, de 502 cidades que decretaram emergência. País já soma ao menos 457 mortes

04/06/2022 às 09h50
Por: Informativo Plácido Fonte: R7
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Falta de verbas dos municípios e ocupações irregulares aumentam o problema / SERGIO MARANHAO / AFP - 01/06/2022
Falta de verbas dos municípios e ocupações irregulares aumentam o problema / SERGIO MARANHAO / AFP - 01/06/2022

Os deslizamentos, alagamentos e enxurradas causados por chuvas no Brasil — que marcaram a mais recente tragédia nacional em Pernambuco — desabrigaram pelo menos 37.938 e desalojaram outros 194.148 brasileiros de suas casas em 22 estados diferentes até maio deste ano. A diferença entre as duas categorias é que os desabrigados são aqueles que não têm para onde ir e dependem de abrigos públicos.

Além da população que teve de sair do lar, de forma definitiva ou momentânea, outros 1.530.494 foram prejudicados pelas chuvas, em 502 municípios que decretaram estado de emergência ou calamidade pública. Desses decretos, 138 foram reconhecidos oficialmente pelo governo Bolsonaro.

Os dados foram levantados e analisados pelo R7 a partir do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres, do Ministério do Desenvolvimento Regional, que recebe diariamente informações dos municípios brasileiros sobre os efeitos de fenômenos naturais.  

Os estados mais afetados do Brasil estão na região Norte e Nordeste, com destaque para o Pará, Amazonas, Maranhão. Na região Sudeste, Minas Gerais também aparece entre os mais danificados. Os dados de 2022 do sistema não ilustram o caos na Bahia no início do ano, poruque o cenário visto na região no início de janeiro, com 26 mil desabrigados e 65 mil desalojados, foi causado por temporais do final do ano anterior.

Mortes

Com apenas 36 casos registrados, o sistema também está subnotificado em relação ao número de mortes causado pelas chuvas. Desde a última semana, os temporais em Pernambuco já contabilizaram 128 vítimas e o ano foi marcado por outros desastres históricos, como o de Petrópolis (RJ), e casos em Minas Gerais e São Paulo.

Segundo levantamento da CNM (Condeferação Nacional dos Municípios), esses episódios somados mataram pelo menos 457 pessoas em 2022 — o equivalente a 25% do total dos últimos dez anos.

A meteorologista da FieldPRO Dóris Palma afirma que as características no clima deste ano explicam em parte os números, principalmente no caso do Amazonas, que tem o aumento das chuvas e inundações de rios por conta do fenômeno de La Niña. O mesmo evento pode explicar a dimensão do temporal em Recife. 

"É importante ressaltar que todos esses desastres são causados por altos volumes de chuva em um curto espaço de tempo, como foi o caso de Petrópolis, Recife, e todo ano acontece também em Minas Gerais", completa.

O perfil das vítimas segue o mesmo em todas as regiões: pessoas pobres, que, por conta da falta de moradia, ocupam áreas de risco para deslizamentos e enchentes. "Essa ocupação antrópica desordenada piora o escoamento de água superficial, altera a geometria das encostas, aumenta o nível de infiltração da água de chuva e coloca sobrecargas nas próprias casas", explica o engenheiro geotécnico e professor da Universidade Mackenzie Paulo Afonso Luz.

"A maioria das prefeituras não possui recursos suficientes para implantação de uma política de prevenção contra a ocorrência de escorregamentos de encostas. Somente as prefeituras mais ricas e também as cidades que já possuem um histórico de problemas."

Junto ao problema habitacional também pesa a falta recursos aos municípios menores para fiscalizar as áreas de risco, que mudam constantemente de acordo com os despejos e novas ocupações formadas. Segundo o último levantamento do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), de fevereiro deste ano, cerca de 9,5 milhões de brasileiros moram nesses locais.

"O pior problema é toda a cadeia funcionar. É o mapa ser feito, o alerta ser emitido e o município que aponta lá — quando receber o alerta do Cemaden — conseguir agir a tempo. E a fiscalização é fundamental, as áreas de risco são criadas a cada dia se deixar", conta Tiago Antonelli, pesquisador em Geociências do Serviço Geológico do Brasil, ligado ao Ministério de Minas e Energia.  

 

 

 

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