A estudante de farmácia Graziely Lima de Oliveira, de 19 anos, assassinada a facadas na última sexta-feira (17) em Mâncio Lima, interior do Acre, é descrita pelas amigas de infância como uma pessoa cheia de sonhos, gentil e alegre. O principal suspeito do crime é o ex-namorado de Graziely, identificado como Pedro Tarik, que foi preso no sábado (18) e segundo a polícia, confessou ter cometido o crime por ciúmes. A Polícia Civil da cidade faz buscas pelo suspeito.
O g1 conversou com três amigas de infância de Graziely. Segundo as jovens, a família da estudante está muito abalada e sem condições de falar sobre o caso.
A vítima foi encontrada caída na rua por uma irmã dela, que voltava da festa do próprio aniversário na madrugada de sexta (17). O suspeito desferiu cerca de 12 facadas na ex-namorada e ainda bateu na cabeça dela com um pedaço de madeira, o que a deixou desfigurada.
Havia a suspeita ainda de que a estudante tivesse sofrido abuso sexual. Contudo, o delegado Marcílio Laurentino disse ao g1 neste sábado (18) que a vítima estava pronta para dormir quando o suspeito chegou até a casa dela e a chamou.
"A justiça tem que ser feita, ele tem que pagar por tudo. Além de amiga, peço isso como mãe também por que o que a dona Ivone [mãe da Graziely] está passando neste momento é horrível; como irmã porque os irmãos dela a amavam por ser uma pessoa maravilhosa, doce e gentil com todos", lamentou a operadora de caixa Ketila Santos da Silva, de 22 anos.
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Ketila da Silva era amiga de Graziely há 14 anos e disse que vítima contou que namorado era ciumento — Foto: Arquivo pessoal
Kétila e Grazy, como era carinhosamente chamada, tinham uma amizade de 14 anos. As duas conversaram pela última vez um dia antes do crime e combinaram um passeio neste domingo (19).
"Era muito amiga da minha irmã, então, estávamos sempre juntas. Era uma menina muito estudiosa, maravilhosa, era o orgulho da mãe dela. Era a filha caçula, sonhava em construir uma família e em terminar a faculdade. O pai dela morreu no início do ano passado e [ela] dizia que iria honrar ele", revelou.
Grazy e Pedro, suspeito pelo crime, namoraram entre 2023 e início de 2024. "[Ela] acreditava que [ele] era muito bom, foi a pessoa que ela mais amou", reforçou.

Pedro Tarik é o suspeito de ter matado Graziely Lima de Oliveira a facadas em Mâncio Lima, no Acre — Foto: Reprodução
Segundo Kétila, após a morte do pai, Grazy se mudou para Cruzeiro do Sul, cidade vizinha, para morar com uma irmã. A jovem havia voltado para Mâncio Lima há cerca de um mês e, ao saber disto, Pedro passou a mandar mensagens alegando que se ela não reatasse o relacionamento, ele iria tirar a própria vida
"Ele foi na casa dela cerca de três vezes naquela noite, pediu água, ela deu e depois pediu o telefone dela para fazer uma ligação. Falaram que ele estava usando drogas há três dias. A mãe dela falou que viu ela com alguém e perguntou quem era, ela respondeu: 'é o Pedro, ele está pedindo água'. Na segunda vez, ele pediu o telefone dela e na terceira chamou ela para sair, mas a mãe dela não viu ela saindo", contou.
Ainda de acordo com a operadora, vizinhos viram Grazy saindo de moto com o suspeito. A casa dele fica próximo da casa da vítima. "As informações que temos é que ele nem entrou na residência, já tinha isso na cabeça. Souberam que era ele [o suspeito do crime] porque as marcas de sangue vinham da casa dele até onde ela estava", explicou.
'Cheia de sonhos'
Janiquele Costa e Shayane Costa também eram amigas de longa data de Grazy. Janiquele mora em Cuiabá (MT) e está no município para visitar familiares e conhecidos. Para ela, mesmo sem saber, os últimos dias foram de despedida com a amiga.
"Estávamos juntas em todos os eventos, frequentávamos a mesma igreja e todas as datas, tanto boas como ruins, sempre estivemos perto uma da outra. Sempre foi uma menina cheia de sonhos, queria ser policial em homenagem ao pai. Pedimos que a justiça seja feita, fica o legado de uma pessoa nobre, honesta, exalava amor por onde passava, era uma ótima filha e sempre se preocupou e cuidou dos pais com muito amor e carinho", afirmou Janequele.
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Janequele e Grazy eram amigas de longa data — Foto: Arquivo pessoal
A morte de Grazy abalou os moradores de Mâncio Lima. Shayane revelou que Grazy era sua confidente, que dividiam os planos de vida, sonhos e projetos. Emocionada, a jovem lembrou de um dos últimos momentos juntas.
"Passamos horas no telefone conversando falando sobre a vida, contei coisas que tinham acontecido nos últimos dias, ela me falou sobre os dias dela também. No mesmo dia fui para a casa dela, estávamos super felizes, eu, ela e a irmã dela. Ainda fiz o cabelo dela, que era a coisa mais linda, ela estava linda, cheia de vida, tão feliz, cheia de planos. Nunca imaginávamos que isso poderia acontecer, ela não merecia, era uma pessoa do coração bom", recordou.
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Shayane Costa chegou a arrumar o cabelo da amiga dias antes do crime — Foto: Arquivo pessoal
A PM do Acre disponibiliza os seguintes números para que a mulher peça ajuda:
Veja outras formas de denunciar: