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Educação Evasão escolar

Abandono escolar dobra na rede pública em 2021, aponta Inep

Dados da segunda etapa do Censo Escolar da Educação Básica também mostram que houve aumento na taxa de reprovação

20/05/2022 às 09h14
Por: Agência Plácido Fonte: R7
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Censo registrou aumento da reprovação entre alunos do ensino médio / GABRIEL JABUR/ AGÊNCIA BRASÍLIA/ AGÊNCIA BRASIL
Censo registrou aumento da reprovação entre alunos do ensino médio / GABRIEL JABUR/ AGÊNCIA BRASÍLIA/ AGÊNCIA BRASIL

Metade dos estudantes da rede pública de ensino abandonou a escola no ano passado, de acordo com o Censo Escolar da Educação Básica 2021 divulgado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) na noite desta quinta-feira (19)

Na segunda etapa do Censo, o Inep apresentou informações sobre o rendimento dos alunos, a quantidade do número de aprovados ou reprovados e informações sobre abandono escolar. Os números mostram um aumento da reprovação de estudantes e que o abandono mais que dobrou no ensino médio na rede pública em comparação ao ano de 2020.

Em 2021, a média da taxa de abandono do ensino médio na rede pública foi de 5%, ante 2,3% em 2020. Na região Norte do país, 9,7% dos alunos deixaram a escola no ano passado, um contraste em relação aos dados dos estudantes matriculados em escolas particulares, que não registraram abandono.

Aprovação X Reprovação

O Censo também mostrou que houve um aumento na taxa de reprovação entre os estudantes se comparado ao ano anterior. De acordo com o Inep, em 2020, como uma das medidas de enfrentamento da pandemia de Covid-19, as escolas adotaram o “contínuo curricular”, uma medida de adequação curricular para evitar a retenção e abandono, o que resultou no aumento de aprovações na rede pública. No ano de 2021, as taxas de aprovação caíram, mas ainda estão em um patamar superior ao de 2019.

No ensino fundamental, em 2020, a taxa de aprovação nos anos iniciais  (1º ao 5º ano), na rede pública, foi de 98,9%. Já em 2021, esse percentual caiu para 97,3%. A redução de 1,6 ponto percentual (p.p.) entre um ano e o outro foi a primeira nos últimos cinco anos. Na rede particular, houve um aumento na taxa de aprovação dos alunos — alta de 96,5% para 99,1%, entre 2020 e 2021.

As taxas de aprovação dos anos finais do ensino fundamental caíram em todas as dependências administrativas da rede pública. A rede municipal foi a que teve a maior queda, com 94,7% dos alunos aprovados (em 2020, 98%). A rede privada manteve-se praticamente estável, com um crescimento de apenas 0,1 p.p. Já as taxas de reprovação nos anos finais aumentaram em todas as redes, com destaque para a municipal, com aumento de 2,2 p.p.

No ensino médio, o número de alunos aprovados em relação a 2020 caiu nas redes pública e privada. A rede estadual, que abrange a maioria das matrículas, teve uma queda de 4,8 p.p. na taxa de aprovação e aumento na taxa de reprovação e abandono, respectivamente, de 1,6 e 3,2 p.p.

O Censo Escolar da Educação Básica é a principal pesquisa estatística da educação básica no Brasil. O levantamento é coordenado pelo Inep e realizado com apoio das secretarias estaduais e municipais de Educação, com a participação de todas as escolas públicas e privadas do país. O levantamento abrange as diferentes etapas e modalidades da educação básica: ensino regular, educação especial, educação de jovens e adultos (EJA) e educação profissional.

Análise

Um estudo divulgado pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) no início de 2021 já destacava que "a reprovação, o abandono escolar e a distorção idade-série são partes de um mesmo problema: o fracasso escolar. Ele começa com o estudante sendo reprovado uma vez. Seguem-se outras reprovações, abandono, tentativa de retorno às aulas, até que ele entra em uma situação de 'distorção idade-série', com dois ou mais anos de atraso. Sem oportunidades de aprender, o aluno vai ficando para trás, até ser forçado a deixar definitivamente a escola".

Pesquisas do Unicef já alertavam para o aumento da exclusão escolar. No Brasil, em novembro de 2020, havia mais de 5 milhões de meninas e meninos sem acesso à educação – número semelhante ao que o país tinha no início dos anos 2000. 

 

 

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