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Espetáculo Fiandeiro de Tempos resgata e enaltece memória de populações ribeirinhas

Valorizando a história dos ribeirinhos do estado do Acre, a peça “Fiandeiro de Tempos” tem sua estreia marcada para o dia 7 de dezembro, a partir d...

29/11/2021 às 15h10
Por: Agência Plácido Fonte: Secom Acre
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Foto: Reprodução/Secom Acre
Foto: Reprodução/Secom Acre

Valorizando a história dos ribeirinhos do estado do Acre, a peça “Fiandeiro de Tempos” tem sua estreia marcada para o dia 7 de dezembro, a partir das 19h30 na Usina de Arte João Donato, em Rio Branco. A entrada é gratuita; porém, por motivos da pandemia, a restrição de público e o uso de máscaras são obrigatórios.

O trabalho é idealizado pelo ator Victor Onofre, com direção geral e roteiro de Quilrio Farias, e codireção de Dino Camilo. As histórias são fruto das vivências de Victor, que costumava acompanhar a mãe em viagens a comunidades ribeirinhas em todo o estado. Por lá, ouvia histórias das pessoas e presenciava costumes do dia-a-dia das populações.

“Por causa do trabalho relacionado ao meio ambiente, minha mãe sempre fazia viagens pelas comunidades ribeirinhas no Vale do Juruá e eu, sempre que tinha oportunidade, ia junto com ela. Então eu conheci inúmeras pessoas, inúmeros fiandeiros que, inclusive, estão presentes dentro do espetáculo”, conta.

“Fiandeiro de Tempos” resgata cultura dos povos ribeirinhos. Foto: Divulgação
“Fiandeiro de Tempos” resgata cultura dos povos ribeirinhos. Foto: Divulgação

“Fiandeiro” é escrita em formato de monólogo, e marca o retorno de Victor aos palcos após 10 anos. E esse é um desafio que irá trilhar sozinho, por enquanto. Mas a ideia é, no futuro, trazer outros atores que se interessem por essa proposta.

Oriundo de Cruzeiro do Sul e ator há 26 anos, Victor já participou de diversos grupos teatrais como a Companhia Experimento de Artes Cênicas na Trupe SouRiso (que leva palhaços para visitarem hospitais), a Companhia Garatuja e o Grupo Aguadeiro.

Com o Aguadeiro teve o primeiro contato com o instrumento intitulado “Espanta Cão”, que está resgatando para o espetáculo. De acordo com o Instituto Nova Era, trata-se de um instrumento musical oriundo do Acre, com base revestida de borracha e formato de cruz.

“Eu resgato esse instrumento e a memória do povo ribeirinho, e também divulgo um pouco desse patrimônio imaterial, que é a memória desse povo. Às vezes a gente acha que eles são tão sofridos, mas eles também podem ser muito alegres, muito vivos”, enfatiza.

O Espanta Cão é um instrumento musical acreano cuja história é resgatada no espetáculo. Foto: Divulgação
O Espanta Cão é um instrumento musical acreano cuja história é resgatada no espetáculo. Foto: Divulgação

A valorização é um ponto muito importante para Victor, que reforça como é necessário valorizar, defender e desenvolver novos processos para contribuir com a arte acreana.

“É preciso dar valor às pessoas aqui de dentro e ao resgate de memória do Acre, do verdadeiro Acre, que é um tanto quanto marginalizado. Às vezes existe um estereótipo de como é o ribeirinho, mas se você não vai lá conviver com eles, você não vai saber como é a realidade”, afirma.

Victor também conta uma história de suas viagens pelos rios com a mãe: “Eu tinha 6 anos de idade e fomos de batelão até uma comunidade. Daí dormimos na casa de um ribeirinho e tinha um jamaxi, de onde saíam “piados” bem fininhos. Eu, curioso, fui lá abrir e vi um ninho de periquitos que foram resgatados, porque a árvore tinha caído e matado os pais. Eu fiquei encantado, queria um! A dona falou que trocava por qualquer coisa que eu tivesse, então fui ao barco e peguei um pacote de bolachas para trocar pelo periquito. Cuidei até que ele ficasse grandinho e ele voou, ganhou a liberdade dele”.

O monólogo é baseado nas histórias presenciadas pelo ator. Foto: Divulgação
O monólogo é baseado nas histórias presenciadas pelo ator. Foto: Divulgação

O espetáculo “Fiandeiro de Tempos” tem apresentações marcadas para o período entre 7 a 11 de dezembro, a partir das 19h30, na Usina de Arte João Donato. A duração é de 50 minutos. O uso de máscaras é obrigatório. A garantia de um lugar para assistir ao espetáculo será por ordem de chegada. A peça foi financiada pelo governo do Estado do Acre, por meio da Lei Aldir Blanc, gerida pela Fundação de Cultura Elias Mansour.

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