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Plácido de Castro Meio ambiente

VÍDEO; Parque ecológico de Plácido de Castro está abandonado pela gestão municipal

Criado há 31 anos, o Parque ainda não recebeu investimento do governo municipal e sofre com o abandono.

21/05/2022 às 17h17 Atualizada em 24/05/2022 às 09h46
Por: Agência Plácido
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Fonte: Blog do Peter Lucena
Fonte: Blog do Peter Lucena

O Parque Ecológico de Plácido de Castro, localizado na Rodovia AC-475, logo na entrada da cidade, pede socorro. O local, que pertence à prefeitura e possuía  uma área de cerca de 34 hectares, está abandonado.

No parque, ainda é possível encontrar uma enorme variedade de plantas nativas da Floresta Amazônica – dentre as quais castanheiras, seringueiras, palmeiras, bananeiras bravas, angelins, catuabas, bacabas, mogno, açaí, patoá, cacau nativo e apuí.  

O Parque foi criado pela Lei nº 038, de agosto de 1991 e nasceu como status de referência na preservação do meio ambiente. Há época, possuia para mais de 100 espécies da flora tropical. No entanto, hoje não passa de um projeto abandonado pela gestão municipal, destruído pela ação do homem e constantemente frequentado por pessoas que fazem uso de drogas, principalmente o crack.

O que poderia ser um santuário ecológico no meio da cidade, virou uma incógnita. Diariamente o local fica sujeito aos invasores e ao descaso. Salas do parque atualmente funcionam como depósito improvisado de latas de alumínios usadas para o consumo de crack, bitucas de cigarro e desleixo por parte do Executivo Municipal.

Logo na entrada do local existia uma placa escrita com os dizeres “Daqui nada se tira, apenas fotografias. Nada se deixa, apenas pegadas. Nada se leva, apenas boas lembranças”, objetivando instruir os visitantes sobre o comportamento e respeito com o ambiente, o qual naquele local se deveria tomar.

Inaugurado no início da década de 90 pelo governador da época, Edmundo Pinto, morto a tiros na madrugada de domingo, 17 de maio de 1992, o Parque era formado por três ecossistemas: o terrestre, o aquático e o de transição. O terrestre formado pela capoeira alta, campo sujo e floresta tropical aberta; o aquático formado pelos igarapés Alvoredo e Visionário, e o de transição formado pela floresta tropical aberta, a qual fica submersa durante três meses no período do inverno. Luiz Pereira de Lima era o prefeito em exercício da época. 

A foto registra o momento que o Governador Edmundo Pinto e Sua Esposa Fátima inauguram o Parque Ecológico em Plácido de Castro - Reprodução: http://luizpereirapc.blogspot.com

Logo à esquerda, mais aos fundos do campo estavam localizadas a casa do seringueiro e a defumaceira. Era um local de tranqüilidade e voltava ao passado dos seringais, era ali que o seringueiro podia reviver e recordar, ao menos em instantes se desligar do mundo atual e adentrar em sua fantasia na vivência junto à floresta amazônica da época dos grandes seringais, ali mesmo tocando nos utensílios utilizados na extração do látex, a cabrita, a poronga, as tigelas, a defumaceira, os princípios de sernambi para a formação da péla da borracha, reviver o passado ao menos em fantasias e fortes lembranças presentes, materializadas naqueles utensílios seringalísticos tão importantes para os antigos (arigós) e descendentes, quanto para a formação da nossa própria história placidiana. Nos arredores ficava um grande barracão.

Havia também os animais da floresta que habitavam aquele local, os quais poderiam ser vistos e observados bem de perto. A cidade tornou-se um ponto de frequentes visitas de turistas que vinham conhecer o parque e aproveitar a oportunidade para fazer compras de produtos importados na recém criada Vila Montevidéo, no lado boliviano.

O Parque, que antes era ponto de referência na cidade e bastante frequentado por visitantes da Capital e de várias outras localidades, agora se encontra abandonado e sem manutenção há anos. 

Logo que assumiu a Prefeitura Municipal de Plácido de Castro, em 1° de janeiro de 2021, o atual prefeito Camilo Silva, PSD, comunicou que existia um projeto de recuperação do parque para que o local pudesse voltar a receber visitantes. Mas a promessa ficou apenas no papel. A área, que seria uma opção de lazer para a população, continua abandonada.

Os órgãos públicos que deveriam fazer a fiscalização, fazem vista grossa frente ao abandono de uma área ecológica destinada especificamente à preservação da natureza, ao turismo e ao estudo científico, mas está sem administração, que cabe à prefeitura municipal.

O parque, que é uma área de preservação ambiental, não está aberto à visitação porque não tem a devida estrutura para receber o público como banheiros, local para descanso e água potável para os visitantes. Para quem vivenciou a criação do lugar, só resta lamentar a situação.

Logo na entrada do parque, não há trancas nos portões e o acesso é livre para qualquer pessoa adentrar no local. Vândalos saqueiam o espaço de um prédio antigo existente ali que na gestão do ex-prefeito Gedeon Barros (2017-2021), era ocupado pela Secretaria de Meio Ambiente. Até mesmo os PVCs do forro estão sendo levados. No interior, restou apenas algumas salas abarrotadas de entulhos.

A falta de segurança também afastou o público. Os poucos visitantes que se aventuram lá, sabem do risco. Toda a estrutura do parque precisa de reforma, manutenção adequada e limpeza. O espaço constantemente é tomado por incêndios no período de seca, fato esse que favorece a queima de boa parte da floresta, e, se não bastasse isso, o poder público municipal abandonou de tal forma a conservação e preservação da área ecológica que atualmente o que se vê é apenas um grande matagal tomando conta do local e das trilhas. 

Apesar dos projetos que estão sendo elaborados para reabertura do local, a população desconfia da garantia de que isso realmente saia do papel para a prática.

O parque ecológico tem muitas trilhas, todas elas tomadas pelo intenso matagal. A pista de caminhada oferece riscos aos visitantes. Já em outro espaço, onde existia um plantio de árvores nativas da região, o que se encontra é abandono. Só restaram as telas de proteção caídas ao chão e os recipientes cheios de água suja.

Veja o Vídeo:

Mirante

Nenhuma descrição de foto disponível.

No citado parque ainda existia um mirante com cerca de 30 metros de altura, construído em aço galvanizado e madeira, que por mais de uma década serviu como mais um atrativo para a população e os turistas. Assim, o visitante que ousasse subir por seus inúmeros degraus, poderia ter uma visão de toda a extensão do parque, além das copas das árvores e da própria cidade.

Atualmente, principalmente devido às condições climáticas, toda a sua estrutura está comprometida o que impossibilita a utilização do mirante.

Texto original: Antonio Valentin. Adaptado do Portal Ambiente Placidiano. 

 

 

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